Introdução

As mulheres que sofrem maus–tratos de seus maridos, companheiros, pais e outros familiares, ou seja, são vítimas da violência doméstica certamente passam por uma das experiências mais difíceis e dolorosas da vida: ser agredidas, negligenciadas e desconsideradas exatamente no ambiente onde mais deveriam receber amor, respeito, carinho e consideração. Em todos os relacionamentos há conflitos, mas estes podem ser resolvidos com amor, diálogo e respeito. Nada justifica a violência.

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Feridas invisíveis

(Extraído do livro "Feridas Invisíveis: Abuso não físico contra as mulheres"", de Mary Susan Miller, Ed. Summus, 1999, SP.

O vitimizador (agressor) típico age da seguinte maneira:

  • Deseja manter-se sempre no controle. O propósito de todo abuso não é simplesmente causar dor como no sadismo, mas a necessidade de controlar a vítima: o controle é o fim em si mesmo.
  • Faz com que a mulher largue o emprego, as amigas, a família, isolando-a de qualquer tipo de contato social. Para tal, usa táticas como o desprezo, a humilhação e a opressão frente aos amigos e conhecidos, de modo que ela se sinta reprimida e insegura, deixando de ter prazer e alegria no meio social.
  • Não admite perder a mulher-vítima, mesmo que não a ame.
  • Tem um vício insaciável: controlá-la.
  • Sabe muito bem como manipular com mentiras e promessas de mudanças.

Abuso não-físico

O abuso não-físico, de qualquer tipo, é a destruição acumulada do bem-estar emocional, psicológico, social e econômico de uma mulher.

O espancamento é a principal causa de ferimentos em mulheres, mais do que os acidentes, os assaltos e estupros combinados, mas este tipo de violência deixa marcas visíveis, hematomas, arranhões, olho roxo, muito fácil até de amigos ou parentes ajudarem.

Na violência psicológica as marcas são invisíveis e muito mais destrutiva, ela acaba com a auto-estima, a alegria, traz tristeza profunda, sentimento de constante abandono e perda da vontade de viver. São feridas feitas com palavras, do tipo você está muito gorda, a outra é melhor 120%, você  parece mais uma bruxa, vê se cala essa boca, você só fala besteira, entre tantas outras que vai desde o grito, ao desprezo e a humilhação.

A importância do casamento

Muitos podem pensar que não vale a pena  envolver-se num casamento, mas deixam de perceber que o problema está neles mesmos. É como se duas pessoas falidas quisessem abrir uma empresa. Que poderia acontecer dali há alguns meses, senão a falência? Infelizmente o número de divórcios tem crescido cada vez mais, e o que poderíamos fazer para preservar esta instituição tão fundamental para a humanidade?.   Pesa sobre a sociedade a responsabilidade de construir cotidianamente relações de respeito, carinho, mas principalmente de paz. Mudar conceitos impostos e enraizados de uma cultura machista requer esforços de ambos os lados, pois é dentro do casamento que formamos homens e mulheres do amanhã.

Este site foi inaugurado no Dia Internacional da Mulher (08/03/2002)

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